Lama Padma Samten
xENTREVISTAS voltarX

 

A Sociedade vai à Luta

Cresce número de entidades engajadas na defesa dos direitos humanos e do meio ambiente.

Em entrevista publicada na edição de maio da Parla, o Lama Budista Padma Samten observou que uma característica desse final de milênio é o surgimento de um grande número de entidades engajadas em ações comunitárias, independentes de governos. Para ele, isso expressa uma revolução política. Ou seja, a sociedade se mobiliza cada vez mais atenuando o mito dos governos paternalistas e responsáveis pela solução de todos os problemas. Essa mudança tem sido uma das marcas dos anos 90 e indica claramente os rumos futuros em diversas áreas.


Segundo estudos realizados pelo mestre em educação Luiz Brambatti, somente na França, em anos recentes, foram criadas mais de 60 mil associações de voluntários. "Pode-se afirmar que este fenômeno teve sua explosão na década de 90", diz o pesquisador caxiense. Nos Estados Unidos, o número de associações já ultrapassa um milhão. Na Alemanha, para cada 100 mil habitantes existem hoje 475 entidades voluntárias, o triplo das existentes em 1960 para a mesma quantidade de pessoas.

Toda essa movimentação coletiva não é privilégio dos países ricos. Na Hungria, em apenas três anos após o fim do comunismo foram criadas 13 mil associações. Elas integram o chamado terceiro setor da economia mundial, abrangendo desde cooperativas e fundações a Organizações Não-Governamentais (ONGs). Brambatti explica que o terceiro setor abarca todas as organizações que são públicas mas não estatais, ou que são privadas mas sem fins lucrativos, ou não distribuem os lucros aos seus proprietários. "Nos Estados Unidos, França e Alemanha, a partir dos anos 80, um cada oito empregos foi criado no terceiro setor".

Essas organizações são sustentadas basicamente pela venda de serviços e bens e por doações dos seus associados e, em menor proporção, por contratos e contribuições do poder público. Algumas delas, integrantes da categoria das ONGs, alcançam notoriedade mundial e apoiam outras com propósitos semelhantes. É o caso da Associação Recreativa e Cultural Italiana (Arci), a maior ONG da Itália, criada em 1957, e que hoje computa 1,2 milhões de sócios.

Na primeira semana de agosto, o presidente da Arci, Granpiero Rasinelli, esteve em Caxias o Sul, a convite do prefeito Pepe Vargas, para falar sobre organizações sociais e comunitárias e economia solidária. O encontro foi dirigido a integrantes de ONGs, entidades assistenciais, cooperativas e sindicatos. Na mesma semana, Caxias também recebeu a visita de uma caravana do Greenpeace, talvez a ONG mais famosa do mundo. O motivo: divulgar o papel das fontes de energia renováveis na preservação do clima do planeta.

EM DEFESA DO AMBIENTE

Em Caxias do Sul e região da Serra, diversas entidades se dedicam a serviços de natureza social e filantrópica, desvinculadas de órgãos oficiais. Algumas são antigas, como o braço local da Associação Rio-Grandense de Proteção aos Animais (Arpa). Entre as mais recentes está a Associação Livre para Gerenciamento Ambiental (Alga), uma ONG criada oficialmente há um ano, que, recentemente, coordenou uma operação de reflorestamento na bacia do Arroio Pinhal.

Os associados e simpatizantes da Alga distribuíram 600 mudas de árvores nativas da região para as comunidades às margens do Arroio. As mudas foram fornecidas à Alga pelo Ministério Público, como resultado do pagamento de multas por empresas poluidoras do ambiente natural. O presidente da ONG, Geraldo Susin, acrescenta que a atividade está inserida no programa Adote Seu Arroio, cujo objetivo é engajar entidades, empresas, escolas e a população em geral numa ampla campanha de recuperação dos rios e riachos de Caxias do Sul. Através de contatos periódicos com outras associações, como os Clubes de Mães, por exemplo, os voluntários da Alga prestam esclarecimentos sobre a preservação dos cursos d’água e cuidados em relação ao lixo. "Nossa meta é estabelecer uma relação mais saudável e respeitosa das pessoas com a natureza’, sintetiza Susin. Os resultados têm sido compensadores. A Alga é procurada freqüentemente para buscar soluções em várias situações de agressão ao meio ambiente.

Como manda o figurino, a associação foi criada mediante um estatuto, por 15 voluntários. Hoje os integrantes já chegam a 35, entre dezenas de simpatizantes. Para manutenção da entidade, cada membro contribui com R$ 5,00 (cinco reais), nas reuniões mensais. Na promoção de eventos, a ONG caxiense sai à procura de apoio e patrocínio junto a empresas. O próximo trabalho é a participação ativa na V Semana Interamericana da Água, prevista para o período de 3 a 11 de outubro.

O presidente Susin comenta que as ONGs não têm um papel paragovernamental, isto é, não compete a elas fazer o que é de obrigação do poder público. "Trabalhamos na área do não-governamental. E a função da ONG também é cobrar". Sem qualquer retorno financeiro, o recompensa do trabalho voluntário chega no nível pessoal, na consciência de estar contribuindo para uma sociedade melhor. Contatos com a Alga podem ser feitos pelo telefone (054)221.8061.

O PODER DO ARCO-ÍRIS

Em setembro de 1971, um grupo de ativistas partiu de um porto canadense com a ousada proposta de chamar a atenção do mundo para os testes atômicos realizados pelos Estados Unidos na costa do Alasca. O barulho deu certo: a opinião pública aderiu à causa e os testes foram suspensos. Nascia ali o Greenpeace, uma ONG que rapidamente angariou simpatizantes em todas as partes do planeta.

A luta pela defesa do meio ambiente prosseguiu em muitas outras empreitadas, em estratégias curiosas - e perigosas. Ativistas do Greenpeace chegaram a ficar diante dos arpões dos caçadores de baleia. Outros, em botes infláveis, desafiaram navios que insistiam em despejar no mar lixo tóxico e atômico. Em 1992, um integrante da entidade escalou o prédio da sede da Opep, em Viena, para denunciar a poluição causada pelos empresários do petróleo. Outros subiram em chaminés para alertar contra os estragos na atmosfera. Simbolizado pelo arco-íris, o movimento do Greenpeace só cresce a cada ano. Além das ações diretas contra os perigos à natureza, a entidade passou também a dedicar-se às grandes questões sociais e econômicas que originam os desequilíbrios ambientais. Com ajuda de técnicos e especialistas, equipes espalhadas em quase 30 países orientam as comunidades na busca de soluções para os seus problemas.

O Greenpeace permanece desvinculado de partidos, empresas e governos, dos quais não aceita nem doações. Sustenta-se com as colaborações dos simpatizantes e com a venda de produtos com a sua marca. Na visita a Caxias do Sul, a caravana da entidade esteve divulgando a tecnologia Greenfreeze, que prevê a produção de refrigeradores sem o uso de gases destruidores da camada de ozônio. O telefone de contato para novos sócios de Greenpeace é (0800)112510.

SINAIS AQUARIANOS

O surgimento de organismos sociais desvinculados dos governos é uma tendência mundial e reflete um crescimento psicológico em nível coletivo. Isso confirma as nuances de uma nova etapa no desenvolvimento humana, pregada por místicos e esotéricos, e que na astrologia é conhecida por Era de Aquário, em cujo limiar a Terra já se encontra. Tradicionalmente, Aquário é um signo associado aos grupos, quando os homens se unem em torno de idéias e propósitos semelhantes. Também rege a queda de fronteiras, a globalização, a progresso e a liberdade de escolhas, sob um princípio maior de fraternidade.

No livro Relacionamento (editora Cultrix), A psicanalista e astróloga inglesa Liz Greene afirma a respeito do homem moderno: "O indivíduo, guiado pela ciência, está explorando o mundo apenas para descobrir que ele e o mundo são compostos pela mesma substância". Na visão de Greene, um novo conceito de divindade está surgindo sob Aquário, um deus não mais projetado no céu, mas inserido no próprio homem. "Ele não pode mais responsabilizar a governo estabelecido por seus fracassos políticos, pois o elegeu. Não pode mais culpar seu empregador por seu trabalho insatisfatório, pois tem liberdade de escolhê-lo. Não pode mais responsabilizar o parceiro pelos problemas amorosos, pois está descobrindo que eles estão dentro de si".

(PEREIRA, Nivaldo; PARLA, Revista Regional - Guaporé - RS. Ano 1 - n0 12 setembro 98 - pág. 04 à 06.)

Topo
Palavras do Lama...

« A paz faz parte de nossa essência, é o nosso estado natural. Perdemos a paz quando criamos identidades, quando nos fixamos em referenciais, estabelecendo coisas que não queremos que mudem. »


Centro de Estudos Budistas Bodisatva
Instituto Caminho do Meio
Estrada Caminho do Meio, 2600 - CEP 94515-000 - Viamão/RS
Tel: (51) 3485.5159 - (51) 9732.7392 - (51) 8129.0889
powered by dharmahost © all rights reserved