"As pessoas estão presas, mas quando nós as vemos presas nós as
aprisionamos, damos nascimento a elas como pessoas presas. Mas elas
não estão presas! Elas pensam que estão presas e eu também penso que
elas estão presas. Por isso, nós não permitimos que elas surjam
livres.
Então o primeiro passo é nós recitarmos e vermos aqueles seres livres.
Quando desenvolvemos essa visão, nós vemos a devastação do karma,
porque nós, de modo geral, olhamos as outras pessoas e as aprisionamos
com nossos olhares. Nós não permitimos lugares às pessoas, não damos
nascimentos de liberdade para elas. Nós as congelamos.
Quando nós começamos a ver que podemos dar nascimento de liberdade ao
outro, nós vemos que nossas relações podem ser completamente
diferentes. Vocês vão perceber que isso, por exemplo, produz uma
grande diferença na relação com os "ex-alguma-coisa" (risos). Nós
voltamos a um nível que até a expressão do rosto vai mudar. Nós vemos
que: "Com que autoridade eu aprisionei o outro como meu marido ou
minha mulher?", "Depois que ele/ela foi embora, eu ainda cobro
coisas". Nos vemos completamente aprisionados dentro disso, sofrendo
por um tempo tão longo quanto essa posição durar - infelicitando o
outro, não permitindo nenhum surgimento favorável ao outro.
Podemos ver isso também com nossos filhos. Eventualmente nós não damo$s
nascimento aos filhos no mundo, nós só damos nascimento aos filhos
dentro de nossa casa, grudados em nossa mão. Se o filho tenta qualquer
coisa, nós não conseguimos vê-lo livre. Ou seja, nós não damos
nascimento: no nosso mundo não há espaço para ele surgir livre.
Nós vemos a devastação do que significa dar nascimento inferior aos
outros, e a devastação que isso causa para nós porque tentamos
aprisionar o outro à nossa visão e ele anda, e aí temos sofrimentos no
meio de tudo isso.
Nós vemos como é maravilhoso agora nós olharmos essas pessoas todas e
agora nós vamos dar nascimento elevado para eles. Ou seja, eles podem,
eles têm qualidades, todos eles têm a natureza de liberdade, eles
podem fazer diferente do que estão fazendo. Nós começamos a pensar
também assim. Não só vemos a paisagem, como na nossa mente começamos a
raciocionar e podemos até dar sugestões, facilitar coisas, para aquele
ser comece a se manifestar segundo essas qualidades que nós negávamos.
Então, quando nós damos esse nascimento sutil a partir de uma paisagem
que inclua o outro de uma forma elevada, tudo se transforma."