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Do Himalaya às montanhas suíças

Após escaparem da sua terra natal devido à ocupação há 50 anos, muitos tibetanos encontraram um segundo lar na Suíça, que tem dado as boas-vindas a mais refugiados do que qualquer outro país europeu.

Por Luigi Jorio para SWISSINFO, em 29 de julio de 2005

 

“Os tibetanos têm se integrado muito bem e são, em geral, muito queridos pelos suíços, afirma Lobsang Gangshothang, presidente da Comunidade Tibetana na Suíça.

Há em torno de três mil e quinhentos tibetanos na Suíça, a maior comunidade tibetana no mundo, depois dos que permaneceram na região da Índia e Nepal e da diaspora tibetana nos EUA.

Portas abertas

“A maioria de nós chegou aqui há mais de 40 anos”, explica Jampa Tsering, ex presidente nacional da comunnidade. “Foi quando, no início dos anos 60, a Cruz Vermelha ajudou a muitos que escaparam a deixar seus campos de refugiados na Índia e a obter o status de refugiado na Suíça.” Depois das rebeliões de 1959 – o ano da primeira rebelião popular contra a ocupação da China e o exílio do 14º Dalai Lama na Índia – o governo suíço decidiu abrir as suas portas para mil refugiados.

Muitos orfãos também puderam deixar as difíceis condições nos campos de refugiados, em Dharamsala, no norte da Índia, depois de um acordo entre o Dalai Lama – líder espiritual do povo tibetano – e um médico na Suíça. Como resultado, em torno de 300 crianças foram adotadas e confiadas à Fundação Pestalozzi.

Suíço e Tibetano

Após trabalhar em fábricas de tecidos e industrias, durante as primeiras décadas de suas vidas como imigrantes, os tibetanos se tornaram ativos em vários setores da economia suíça. Desta forma, é muito comum encontrá-los em salas de aula ou atrás de um guiche de um banco.

“A muitos tibetanos foi oferecida a cidadania suíça”, diz Jampa Tsering. “Ainda assim, seus vínculos com a cultura e tradições tibetans permanecem firmes, especialmente entre os imigrantes da primeira geração. A comunidade tibetana admistra fundos para os colégios tibetanos na Suíça e organiza reuniões e festividades tradicionais. O objetivo é preservar o idioma e a cultura que se encontram ameaçados de extinção no Tibete, devido à sufocante presença dos chineses.”, explica Jampa.

O Mosteiro de Rikon

O ponto central da vida espiritual e cultural dos tibetanos na Suíça está no Mosteiro de Rikon, a 30km da cidade de Zurique. Fundado em 1967, através dos esforços de Dalai Lama e os irmãos Henri e Jacques Kuhn, cuja firma de engenharia foi uma das primeiras a empregar refugiados tibetanos. Por mais de 30 anos, o monastério Rikon tem hospedado o Instituto de Estudos Tibetanos. O edificio de concreto branco no alto de uma pequena montanha, com vista o vilarejo de Rikon, abriga em torno de dez monges tibetanos. Além de realizar os rituais religiosos, eles também ensinam a arte da meditação e o idioma tibetano.

“Recebemos entre 10 a 30 pessoas por semana. A maioria deles é tibetanos, porém, não há falta de interesse entre os suíços”, diz Tokhang Khedup, que reside em Rikon desde 1969.