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SADDAM HUSSEIN
por Rev. Sunantho Homero

E 2006 se vai, para muitos, 2007 vai chegar… Por causa de Saddam Hussein, nem 2006 chegou para milhares de Curdos, centenas de cidadãos iraquianos, centenas da Seita Xiita que ele, da Seita Sunita mandou matar... A isto chamamos de Genocídio, o ato de matar muitas pessoas de uma só vez! Saddam fez com que o futuro não chegasse para milhares de pessoas... Desgraçou famílias, semeou ódio, derramou lágrimas, fez tanta e tanta gente sofrer... Acabou pendurado. Herói, mártir, assassino, ditador...

As opiniões se dividem, mas a realidade é indivisível... Saddam, aos 29 de dezembro de 2006, foi enforcado antes da virada do ano, encerrando 2006 deste modo... Ficam na história duas pendências... A primeira, é óbvia, foi retratada em fotos e vídeos... A pendência do corpo inerte do velho ditador iraquiano, que nunca mais vai fazer mal a ninguém... A segunda pendência é mais séria, mais profunda! A pendência histórica da consciência mal resolvida dos seres humanos, marchando acelerados pelo século XXI a dentro e ainda com tantas pendências a serem acertadas com sua própria condição Humana! Dois mil e sete traz consigo o ano Buddhista de 2550, contados a partir da morte do Mestre. Ele falou tanto e tanto, explicou, mostrou, ensinou, comprovou!! Foi tão incisivo, tão categórico, que colocou o PANAATIPAATAA WEREMANI... como Primeiro Preceito! Eu tomo para mim o Preceito de não tirar a vida de nenhum ser vivo... Isto não abre exceções para se ele for mau pode ser pendurado ou eletrocutado ou baleado ou qualquer outra forma menos dolorosa, mais suave, mais compassiva de assassinar alguém em nome da Justiça... A mente humana é capaz de justificar morte por assassinato envolvendo na sujeira o nome da Compaixão!

O Buddha foi bem claro... NÃO TIRAR A VIDA DE NENHUM SER VIVO... Ele não disse que se fosse ditador podia... Angulimalla era um assassino em série... o famoso “serial killer” que o cinema americano tanto divulga... E tornou-se um MONGE!! Quando os soldados do rei foram até o acampamento do Buddha, onde o já monge estava, sob proteção do Mestre, eles perguntaram ao Buddha onde estava o matador Angulimalla, e o Buddha disse que ali não havia matador algum, somente um novo monge, e mostrou a todos o ex-Angulimalla (significa colecionador de dedos humanos).

Com certeza, no dia de hoje, por todos os cantos do mundo muita gente se regozijou... “Já vai tarde!” “Bem feito!”, “Menos um tirano no mundo!” e tantas outras expressões... Mesmo não dançando nas ruas nem dando tiros para o ar como fazem os iraquianos, muita gente, dentro do coração, com certeza está dançando também.

É triste virar o ano carregando consigo mais uma pendência! Continuamo dualistas, continuamos divididos, continuamos achando que um povo é bonzinho enquanto o outro é mau... Mas quando o bonzinho entrega ao mau um serviço sujo e ele o executa, então o mau também fica bonzinho... Irônico o modo como nossa mente funciona, não é?

Não estou aqui defendendo Saddam Hussein...Não estou me colocando a favor de tirania nem de ditadura... Estou sendo imparcial... Não sou americano, não sou iraquiano, nem Xiita nem Sunita... Nem tenho sangue Curdo, para jurar vingança pelo genocídio que Saddam causou a essa minoria étnica. Estou apenas vendo um princípio básico do Buddhismo! O Buddha foi objetivo ao dizer que, se toda a humanidade seguisse inteiramente, com atenção plena, apenas os Cinco Preceitos, não haveria guerra, não haveria crime, não haveria nem mesmo necessidade de Lei alguma no mundo!!

É simplesmente a isso que me refiro! Como monge, estou citando a palavra do Mais Sábio de Todos os Mestres que já veio a este mundo! Enquanto ficarmos, em nosso íntimo, alegres ao ver um homem pendurado, não importa quem seja ou qual a razão de o pendurarem, é bom que estejamos certos de quem pendurados estão nossos valores, nossa condição humana, nossos conceitos dualístico que nos leva a esquecer os Ensinamentos de grandes mestres e agir como senhores da justiça, capazes de deliberar sobre o futuro uns dos outros.

Namo Amida Bu!

Rev. Sunantho Homero

 

 

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