A terra do Senhor do Bonfim, de todos os Santos e Orixás, desde ontem, é também a terra do Buda. A exposição das Relíquias do Buda foi inaugurada, no Museu da Misericórdia, em Salvador. Cerca de cem pessoas assistiram à solenidade de abertura da mostra, que começou com um pocket show de Mariela Santiago, no pátio interno do museu. Em seguida, o Lama Padma Samten, presidente do Instituto Caminho do Meio, principal entidade organizadora da exposição em Salvador, falou sobre a importância da presença das relíquias na cidade. “Quando Sua Santidade, o Dalai Lama, veio ao Brasil, a Bahia fez um esforço para recebê-lo, mas não foi possível. Agora, o próprio Buda está aqui”, disse ele. “Diz-se estar na presença das relíquias é o mesmo que estar na presença do Buda”, completou.
O Lama, palavra que significa mestre, em tibetano, também falou sobre a beleza de reunir, no evento, várias tradições religiosas. “Nós, budistas, estamos em uma instituição cristã, a santa Casa de Misericórdia, dirigida por Jane Palma, que é neta de Mãe Menininha do Gantois. Pelo menos três tradições estão aqui representadas hoje”, continuou. Em seguida, o lama conduziu a leitura do Sutra do Coração, o Prajanaparamita, um ensinamento do Buda, e a recitação do mantra correspondente, acompanhado por um grupo de praticantes budistas.
A monja guardiã das relíquias, a italiana Siliana Bosa, explicou o que são estes objetos sagrados. “Existem três tipos de relíquias”, disse. “Alguns objetos que pertenceram aos mestres, seus restos mortais, como dentes e pedaços de ossos e os rindzens, que são objetos encontrados depois da cremação de grandes mestres, em meio às suas cinzas. Eles se parecem com pérolas ou pequenos cristais e são a materialização da bondade amorosa deles”, explicou. Ainda segundo ela, a bondade amorosa está presente em todos os seres e o contato com as relíquias faz com que este sentimento desperte em nós. “Desejamos dedicar os méritos deste trabalho ao povo tibetano que está enfrentando sérias dificuldades neste momento”, concluiu.