O Instituto Caminho do Meio/Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB), dirigido pelo Lama Padma Samten e localizado em Viamão, está desenvolvendo o projeto de uma escola infantil. Diferentemente das outras instituições de ensino, que estão voltadas apenas para a educação das crianças, o projeto da comunidade budista está sendo pensado como um espaço que inclua o desenvolvimento das outras pessoas da comunidade (famílias e educadores) com paz e felicidade.
“Voltada para crianças de um a seis anos, a escola tem como eixos sustentadores valores como a responsabilidade universal, o bom coração e a interdependência entre os seres e o universo. Como fio condutor, utilizamos o auto-conhecimento”, disse o Lama Samten.
Ainda de acordo com o Lama Samten, os educadores desta escola são considerados facilitadores de cultura de paz e para tanto estudam, desenvolvem-se e relacionam-se através de exemplos, passando a mensagem da cultura de paz e do desenvolvimento mais humano de forma coerente para as crianças. A participação da comunidade budista que mora no Instituto Caminho do Meio e o envolvimento das famílias dos alunos são fundamentais para fortalecer a cultura de paz no cotidiano das crianças.
Dentro da linha de inter-relação e participação da comunidade no desenvolvimento humano, as tradicionais “turmas” se fundem no projeto pedagógico do Instituto Caminho do Meio, formando uma turma de multi-idades, permitindo à criança um contato com adultos e crianças de diferentes idades no mesmo ambiente. “As crianças, portanto, são organizadas em pequenos grupos heterogêneos, que usufruem de uma sala única, dividida por cantos de aprendizagem, além dos demais ambientes do Instituto Caminho do Meio.”
Segundo o Lama Samten, a escola budista tem os seguintes objetivos: despertar qualidades positivas nos seres, exercitar a paz, a generosidade e a amorosidade, despertar a responsabilidade universal (ética, confiança, solidariedade, compaixão), desenvolver o respeito e a integração com o meio ambiente, favorecer a liberdade frente aos condicionamentos, integrar as crianças à vida, ajudando-as a viver no mundo e gerar felicidade a todos os seres.
No projeto, as crianças são acompanhadas por “etapas”, para facilitar o acompanhamento do desenvolvimento dos alunos com maior precisão. A “etapa 1” corresponde às crianças de 1 a 3 anos. Os facilitadores responsáveis as acompanham, observando suas características específicas. A “etapa 2” diz respeito às crianças de 3 a 6 anos de idade, cujas características são bem diferenciadas das crianças menores, no que tange ao desenvolvimento físico, mental e social.
“Apesar das crianças de diferentes idades dividirem uma mesma sala de aprendizagem e convivência, os facilitadores acompanharão o desenvolvimento de cada aluno e do grupo da etapa de forma separada”, informa a educadora, mestre em pediatria e uma das alunas do Lama que está à frente do projeto, Juliana Corullon. “Atividades serão oferecidas tanto para cada grupo de etapa em separado - de acordo com o desenvolvimento das crianças das duas etapas - quanto para o grande grupo heterogêneo. Isso permite um acompanhamento individual, que respeita o ritmo e potencialidades de cada criança, e oportuniza experiências ampliadas na interação com a diversidade”, disse ela.
A sala de aula compreende um ambiente humanizado e acolhedor, com cantos de aprendizagem. Para Fabiane Rocha dos Santos, pedagoga, que também está à frente do projeto “a sala deve ser uma sala ambientada como a casa da gente, onde objetos e brinquedos estão ao alcance das crianças, os pais podem participar ativamente de atividades e onde se sente o acolhimento fundamental para o bem-estar, segurança e felicidade das crianças”.
Dentro do grande salão de aula encontram-se cantos, separados por móveis e delimitados por ambientação lúdica, que facilitam a interação das crianças em âmbitos ampliados de desenvolvimento. Há o canto das histórias e fantasias, o canto das artes, o canto do soninho, o canto de trabalho, o canto do movimento, para as atividades físicas, o canto do brinquedo e o canto da música.
O projeto da escola está sendo desenvolvido na área do Instituto Caminho do Meio, que compreende um extenso bosque com diferentes espécies, banhado, horta, parquinho, centro comunitário, cozinha, templo e marcenaria. Todos estes espaços são utilizados pelos alunos.
De acordo com Juliana, entre as atividades curriculares estão o trabalho específico voltado ao desenvolvimento psicomotriz, visitação diária à composteira, e semanal à horta; aula de yoga duas vezes por semana, trilhas semanais, aulas de artes e aproximação musical.
“Todas as atividades são trabalhadas de modo relacional. Nada será estudado separadamente”, afirma Fabiane. Segundo ela, isso possibilita que a criança desenvolva uma visão ampla e sistêmica. “Desta forma, fortalecemos a noção de inter-relação entre os assuntos, facilitando o desenvolvimento global da criança”, conclui.








